11 de janeiro de 2009 às 13:00

A Troca [Crítica]

Changeling

A Troca

A luta de um único cidadão pode sim fazer a diferença…

Poucos filmes baseados em fatos reais me deixaram tão de boca aberta quanto este. Mesmo que eles tivessem fantasiado 90% dele, se um décimo daquilo realmente aconteceu, já é suficente para figurar no hall das histórias extraordinárias. O pior desse filme? É que não só foi baseado em fatos reais como é bem possível de ter acontecido, acontecer e continuar acontecendo ainda no futuro. Para entender melhor minha perplexidade, explico…

A Troca conta a história de Christine Collins, uma mãe solteira abandonada pelo marido, amorosa com seu filho e dedicada a seu trabalho. Tão dedicada que é forçada a deixá-lo sozinho, sob supervisão parcial de amigos e vizinhos. Tudo corre bem até que seu filho um dia some sem deixar pistas. Depois de longos e excruciantes meses, ela recebe a notícia de que seu garoto foi encontrado. Infelizmente ela descobre imediatamente que o menino que lhe trouxeram não era o seu filho. Frente a pressão da imprensa  e da polícia ela acolhe o garoto e aí sim começa sua longa batalha para corrigir todos os erros, onde encontra ajuda apenas do Reverendo Briegleb.

pic-changeling1.jpg

O lendário Clint Eastwood assina primorosamente a direção, sem comentários ao seu trabalho impecável. Agora, todos os verdadeiros aplausos vão para J. Michael Straczynski que até hoje tinha entre seus maiores feitos ter escrito por anos o enredo de “Babylon 5″, mas que você também já deve ter adorado suas histórias décadas atrás em He-Man e She-ra. Sim, ele criou algumas daquelas historinhas que viraram nossos clássicos infantis. Agora em terreno totalmente novo, ele conta magistralmente a história de uma mulher marcada por uma luta e desespero por encontrar seu filho desaparecido. É para ele que vai grande parte do crédito, além do óbvio trabalho de toda a equipe em recriar os anos 20, cenário do filme.

chang13.jpg

Aos atores, não se podia esperar menos. Angelina Jolie não deve ter tido muito problema em interpretar uma mulher que parece tanto com ela mesma – ou pelo menos com sua figura pública – forte, decidida, amorosa com seus filhos, caridosa, engajada com injustiças sociais e… não sei se Christine era, mas belíssima. Ela finalmente incorporou no cinema o jeito “MILF” de ser da vida real. Claro que John Malkovich tem um papel pequeno, apesar de crucial, com o Reverendo Briegleb, mas obviamente ele é John Malkovich e não faria nada além de fantástico num filme desse tipo. Destaque para Jeffrey Donovan que interpreta o nojentíssimo Capitão Jones da Polícia de LA. Ele conseguiu encarnar tudo que existe de mais desprezível em um servidor público, por isso parabéns. Ainda temos outros destaques a níveis maiores e menores, mas deixo o show com os atores mirins que fizeram tão bom trabalho que realmente vão tirar lágrimas e prender na cadeira até os mais insensíveis.

chang5.jpg

O que eu posso dizer? Esse filme tem tudo. Apesar de ser um drama, é um thriller de suspense, ação e histórias de te deixar de cabelos em pé de tão emocionantes. A angústia que essa mãe nos transmite deixa qualquer sentimento de agonia passado por um terror como Jogos Mortais ou O Albergue no chinelo. É aquela coisa que nos faz querer pular na tela e surrar algumas pessoas. Abraçá-la nos momentos difíceis. Dá aquele sentimento de solidão na hora de maior desespero. Jolie conseguiu de novo. Cheiro de indicação a alguma coisa no caminho, com certeza. Eu não me lembro de uma atuação feminina tão marcante assim em anos. E aí de quem disser que ela “exagerou”. Para mim estava tudo no lugar. Além disso, toda aquela choradeira e torcida básica de filmes dramáticos.

chang1.jpg

O mais importante é que a história de A Troca é uma história de até certa forma comum. Injustiças que acontecem todos os dias. Seja em Los Angeles, New York, Tóquio, São Paulo, no interior do Maranhão ou do Congo, esse tipo de coisa acontece demais. O que fez dessa história diferente foi a luta de uma única pessoa e as pessoas que lhe deram ouvidos. É o tipo de filme que mostra que REALMENTE uma pessoa movida por nada além de amor pode mover o mundo a seu favor. Não é algo utópico, é apenas “baseado em fatos reais” ;]

De qualquer forma, eu raramente recomendo dramas com tanta veemência, mas esse vale o preço de vários ingressos na verdade. Vão ver porque eu digo que isso vai valer cada centavo =D A Troca é um filme que DEVE ser assitido, seja você pai, mãe, filho, ou simplesmente “cidadão” (a esses eu recomendo com mais força ainda).

.

Crítica