6 de setembro de 2009 às 12:00

A Orfã [Crítica]

A Orfã

Tem algo errado DEMAIS com Esther

Tenho que admitir que não dava nada para esse filme pelas fotos, trailer e etc. Principalmente o poster que parece até ridículo. Eu vi a primeira vez e deu vontade de rir, não de ficar com medo. Filmes de crianças assustadoras geralmente forçam tanto que te rendem risadas ao invés de medo. Com excessão de A Profecia e O Exorcista, claro. Aqueles são de dar medo antes mesmo de entrar no cinema. E mesmo o filme tendo todos os clichês ridículos de filmes com criancinhas assustadoras, dessa vez a coisa como um todo até funciona.

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Na história de A Orfã, Kate e John formam um casal estremecido pela perda de sua terceira filha ainda durante a gravidez. Eles se mantém unidos também por conta de seus filhos, Daniel e a pequenina Max que é também deficiente auditiva. Como forma de superar de vez suas perdas, o casal decide adotar uma criança. Quando eles levam para sua casa a pequena Esther de 9 anos, uma série de eventos estranhos começam a acontecer. Kate passa a acreditar que há algo errado com a garota, mas ao tentar convencer John a investigar o passado de Esther, ele não dá atenção a seus alertas até que possa ser tarde demais.

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Bla, bla, bla… E o diretor espanhol Jaume Collet-Serra bem que poderia ter dispensado alguns clichês e editado o filme ferozmente para 1 hora e meia, ao invés de suas duas horas. Muitas cenas clichezentas e desperdiçadas por pura falta de inspiração diretorial. Agora, da mesma forma que ele desperdiçou quase meia hora de nossas vidas, também trouxe algumas das cenas mais perturbadoras de um suspense envolvendo crianças que já vi. A cena inicial já dita o clima: “Esse filme não será nem um pouco leve”. Então diria que ao mesmo tempo que ele consegue ser visualmente muito perturbador em momentos, também se perde em outros. Seria uma direção 50/50 por cento.

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Os responsáveis por fazer o casal Kate (Vera Farmiga) e John (Peter Sarsgaard) são no nível mediano. Eles dão a atuação padrão de filme de terror, nada demais. Agora, na hora que passamos para o elenco infantil, acho que foi a maior lavada em atuação que já vi. Esqueça o pequeno ator que interpretou qualquer Damien e até deixe o chorão Haley Joel Osment de sexto sentido de lado. Isabelle Fuhrman que interpreta Esther se sobressai em todos os pontos, seja interpretando uma personagem bem mais nova (ela tem na verdade 12 anos), quanto convencendo como a mais nojenta vilãzinha de pasquim ou sendo assustadora. Essa menina simplesmente me dá calafrios, até quando é boazinha. Outro destaque é a pequenina de aproximadamente 6 a 7 anos Aryanna Engineer (a menina se chama “Aryanna Engenheira”, sério!!!) que interpreta a deficiente auditiva Max. Primeiro que ela é tão fofa que dá vontade de levar pra casa e segundo que a menina interpreta tão bem que esqueci por um momento que era uma atriz mirim. E ela é deficiente auditiva de verdade, coisa mais linda.

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A história pode ser clichezenta, e os primeiros 20 a 30 minutos depois da cena inicial podem até chegar a dar sono, já que os sustos são previsíveis, temos o típico personagem que é simplesmente burro e não quer enxergar o óbvio, aquela personagem desacreditada que ninguém escuta, os acidentes bizarros e impossíveis de acontecer que ninguém testemunha, entre todos aqueles clichês de filmes de terror com criança que estamos cansados, mas com certeza o final vai ser inusitado e o suspense vai aos poucos te deixando cada vez mais agoniado, que é o propósito do filme. A construção do suspense é respeitada nos moldes tradicionais e vai levando a um certo climax, e temos que respeitar isso.

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No geral é um bom filme de suspense, que foge da onda atual de thrillers sobrenaturais com antagonistas imortais e tudo mais. Na verdade só de ter um final ligeiramente diferente já é uma boa. Agora só fico triste e com certeza perde meia estrela porque com certeza vai fazer possíveis pais adotivos ficarem bem mais temerosos em adotar uma criança crescida de hoje em diante. Não que alguém vai rejeitar a idéia porque viu o filme, mas a desconfiança pode imperar com mais facilidade e o mundo da adoção de crianças ao invés de bebês já é muito complicado. Como estou em um clima generoso e estamos cheios de feriados, é até uma boa pedida de suspense para o fim de semana.

Crítica