10 de outubro de 2009 às 10:00

9 – A Salvação [Crítica]

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“O mundo é o que fazemos dele” e os filmes também.

A publicidade de um filme tem sempre papel crucial ultimamente. Nesse caso ela foi vilã e bandida da empreitada de Tim Burton na produção da animação. Se ela se tornará clássico ou não depois de uma revisitada e certa análise é difícil dizer, mas no momento não houve tanta “salvação” para a roteiro. Baseado em um curta metragem que concorreu ao Oscar, 9 – A Salvação traz gráficos inacreditáveis mas perdeu um pouquinho o rumo.

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A história conta que quando o boneco 9 ganha vida, ele se encontra num mundo pós-apocalíptico em que os humanos foram dizimados. Por acaso, encontra uma pequena comunidade de outros como ele, que estão escondidos das terríveis máquinas que vagam pela Terra com a intenção de exterminá-los. Apesar de ser o novato do grupo, 9 convence os demais que ficar escondido não os levará a nada. Eles devem tomar a ofensiva se quiserem sobreviver e antes disso, precisam descobrir por que as máquinas querem destruí-los. Mais adiante eles vem a descobrir que o futuro da civilização pode depender deles.

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Começando com as palmas para Shane Acker, que apesar de não ser o melhor dos roteiristas é um diretor fodaximamente f*da. Apesar dele não ter sido o responsável único pelas falhas no plot, se redime muito bem com um visual de deixar qualquer um boquiaberto. Ele pode não ser o próximo grande diretor do século, mas com certeza deve ter deixado H.G. Wells deliciado com tantas referências visuais e uma imaginação fértil no melhor estilo Guerra dos Mundos. Acker pode não ser roteirista, mas com certeza é um uber animador. E a produção deve ter tido bastante influencia, pois ficou com visual bem característico de Tim Burton e Timur Bekmambetov.

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Tive a oportunidade de conferir a dublagem original gringa, portanto nada se pode dizer do trabalho na dublagem brasileira. Boa sorte para quem for conferir nesse ponto. Mesmo assim, o forte da trama na maior parte do tempo não são tanto as falas, que caem algumas vezes no clichê, mas sim da ação e emoção passada através de gestos e olhares. Lembrando que Acker é especialista em histórias mudas. Foi assim que ele conseguiu sua valiosa indicação ao Oscar. No quesito “dublagem gringa”, só teve fera. Elijah Wood, Jennifer Connelly, Christopher Plummer, Crispin Glover e o grande Martin Landau.

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Mas, você deve estar se perguntando: O que teve de tão ruim para atrapalhar na história e custar mais de uma caveirinha na nota ali em cima? Faltou pé E cabeça, que tinham nos bonecos mas não na trama. Não me leve a mal, eles criam um ótimo clima, levantam várias perguntas e realmente em alguns pontos tentam amarrar a história, mas a verdade é que ficaram muitos furos e o final simplesmente não convenceu totalmente. Foi tudo lindo, poético, com ficção, ação e etc, só que… Sabe quando faltou algo pra completar? Aquele algo mais de Up e Wall-E? Além disso, vender uma animação como tendo o dedo de Tim Burton levanta bastante as espectativas. Nesse ponto a publicidade foi maravilhosa e linda, mas levantou a bola demais e o roteiro não entregou o que prometia.

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Aproveitando a deixa, não levem as crianças ao cinema. Não se engane pelos bonecos bonitinhos e etc. A coisa é tensa, tem muitas cabeças rolando – em sentido figurado na maior parte do tempo – além de falar sobre o mundo quando todo mundo já morreu, homens, mulheres e até crianças. Não é o tipo “desenho bonitinho para levar o sobrinho”, acredite. É produzido por Tim Burton, daí você tira uma certa idéia. Nada Disney a película.

Dado o aviso, eu até recomendo assistir se já tiver visto outros bons filmes em cartaz, como  o sucesso Bastardos Inglórios dessa semana. De resto, acho melhor deixar para quando estiver mais a toa, mas não ignore ou ache ruim, pois tem GRANDES méritos visuais. Recomenda-se, mas com ressalvas. =]

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O curta-metragem de animação que inspirou a película. Pode conter spoilers.

Crítica